sábado, 1 de setembro de 2012

Rainbow Flower

Poema do eterno candidato ao Nobel, Bei Dao:

At the edge of the abyss
You guard my every lonely dream -
The rustle of wind through the grass.

The sun in the distance blazes brightly,
Standing by the ditch you cast a shadow,
Ripples cover the surface, sinking yesterday's time.

Should there come a day when you too must wither,
I have just a simple hope:
That you may keep the calm of your first flowering.



À beira do abismo
Você protege todos os meus sonhos solitários -
A lufada de vento sobre a grama.

O sol queima brilhante à distância
De pé ante o penhasco você projeta uma sombra,
Ondulações cobrem a superfície, afundando o tempo passado.

Se chegar o dia em que você também tiver que murchar,
Tenho apenas uma simples esperança:
Que você possa manter a calma de seu primeiro desabrochar.

domingo, 17 de junho de 2012

Stalker, 1979




"Que se cumpra o idealizado. Que acreditem. Que riam das suas paixões, porque o que consideram paixão, na realidade, não é energia espiritual, mas apenas fricção entre a alma e o mundo externo. O mais importante é que acreditem neles próprios e se tornem indefesos como crianças porque a fraqueza é grande, enquanto a força é nada.

Quando o homem nasce é fraco e flexível, quando morre é impassível e duro. Quando uma árvore cresce é tenra e flexível; quando se torna seca e dura ela morre. A dureza e a força são atributos da morte. Flexibilidade e fraqueza são o frescor do ser. Por isso, quem endurece, nunca vencerá."

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Resumo dos últimos dias

Um álbum excelente: The Absence, Melody Gardot.
Um bom filme triste islandês: Vulcão (Eldfjall), dirigido por Rúnar Rúnarsson.
Um bom livro de contos cinematográficos: 24 letras por segundo, organizado por Rodrigo Rosp.
Um festival: Olhar de Cinema

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Balanço de leituras 2011: as melhores

Chega ao fim 2011, ao menos para minhas leituras. Tendo um catatau de mais de mil páginas pela frente dificilmente terminarei outro livro este ano. Assim, chega a hora de fazer o sempre interessante balanço anual de leituras: os destaques, as revelações, as melhores, os tiros no pé. Escolhi começar pelas melhores. 

Sem ordem de preferência, mas todas leituras edificantes e - por que não? - divertidas:

O amante, Marguerite Duras (112 pgs.)

Sangue errante, James Ellroy (960 pgs.)

Guerra aérea e literatura, W. G. Sebald (136 pgs.)

Tóquio proibida, Jake Adelstein (456 pgs.)

A estação atômica, Halldór Laxness (202 pgs.)

The Lives of Rain, Nathalie Handal (67 pgs.)


quarta-feira, 30 de novembro de 2011

10 autores contemporâneos japoneses para se conhecer

Passando bem longe das habituais histórias de samurai que povoaram a literatura japonesa até 1945, os autores a seguir habitam as densas aglomerações urbanas que floresceram no Japão do pós-guerra. Suas literaturas refletem o espírito japonês contemporâneo, a solidão das grandes cidades e a degeneração da sociedade de consumo. Segue a lista retirada do Flavorwire:

Kenzaburo Oe
Aproveitando a recente publicação de 14 contos de Kenzaburo Oe pela Companhia das Letras, o autor é o primeiro a aparecer na lista e talvez o mais importante escritor japonês vivo. Vencedor do Prêmio Nobel de Literatura em 1994, Oe escreve desde 1957. Infelizente o Brasil carece de traduções de seus trabalhos. Seu único romance disponível por estas terras é o excelente Uma Questão Pessoal, que, dizem, influenciou o ex-professor da UFPR Cristovão Tezza na publicação de O Filho Eterno, livro arrasa-quarteirão que abocanhou todos os prêmios literários nacionais importantes nos últimos anos.

Banana Yoshimoto

Quando li Kitchen em 2009 tive a impressão de que, talvez, o que impede o merecido reconhecimento de Banana Yoshimoto no ocidente seja exatamente a escolha de seu pseudônimo. O livro, genuíno representante do novo romance japonês, lida com maestria com as delicadas questões de luto e transexualiadade. À ocasião sabia estar diante de uma escritora ímpar, o que só se confirmou quando li sua novela Moonlight Shadow. Suspeito que fãs de Haruki Murakami apreciarão seus livros.

Haruki Murakami

Se Kenzaburo Oe é o escritor japonês vivo mais importante Haruki Murakami talvez seja o mais bem-sucedido. Seus livros, já traduzidos para dezenas de línguas, vendem milhões de exemplares a cada lançamento. Eu mesmo, recentemente, ganhei de presente da Nathaly, ainda no pré-lançamento, seu mais recente livro, o mega hit 1Q84, como atesta a foto a seguir:

Ryu Murakami

Sem nenhum vínculo familiar direto com Haruki Murakami, até onde me consta, Ryu Murakami surgiu para o mundo em 1976 com o romance Almost Transparent Blue, sem tradução no Brasil. Ganhou notoriedade no ocidente com a adaptação para os cinemas de Audition pelas lentes do competente diretor Takashi Miike. Seu livros exploram um submundo de sexo, drogas e criminalidade.

Natsuo Kirino

Kirino começou sua carreira como escritora de livros românticos, mas foi com o lançamento de Out que descobriu sua verdadeira vocação: a boa e velha história de detetive.

Shintaro Ishihara

Figura controversa, político de extrema-direita e xenófobo declarado, Shintaro Ishihara (mais acima na foto, com Yukio Mishima) é um grande escritor quando deixa de lado suas sandices. Escreveu Season of the Sun, um dos livros mais importantes do Japão contemporâneo.

Mitsuyo Kakuta

Seu livro mais famoso é Woman On The Other Shore. Apesar de gozar de grande prestígio no Japão, ainda não viu sua ficção brilhar no ocidente. Fica o alerta para as editoras brasileiras.

Teru Miyamoto

Largou o emprego para se dedicar à literatura. Tem sido bem sucedido em suas publicações, tendo inclusive adaptações para o cinema.

Amy Yamada

Pertencente à Geração X (assim como Banana Yoshimoto), Amy Yamada gera polêmica com suas publicações repletas de sexualidade, racismo e xenofobia, temas pouco abordados na literatura japonesa. Sua grande influência é a cultura negra, em particular americana.

Kenzo Kitakata

Escreve histórias de mistério e investigação ao estilo hardboiled. Também sem publicações no Brasil.


Outros autores merecem menção: Hitomi Kanehara (Cobras e piercings), Hiromi Kawakami (A valise do professor) Yoko Ogawa (Hotel Iris), Natsuhiko Kyougoku. A crescente literatura japonesa nunca se cansa de nos brindar com bons escritores. Mas a ponte ainda está em construção e, no que depender do ritmo do mercado editorial brasileiro, aparentemente permanecerá suspensa por muitos anos.

terça-feira, 22 de novembro de 2011

domingo, 2 de outubro de 2011

Excerto de "The Edge Of The World"

Do poeta sírio Adonis, meu testamento:


I release the earth and I imprison the skies. I fall down in order to stay faithful to
the light, in order to make the world ambiguous, fascinating, changeable, dangerous, in
order to announce the steps beyond.
The blood of the gods is still fresh on my clothes. A seagull's scream echoes
through my pages. Let me just pack up my words and leave.