quarta-feira, 30 de novembro de 2011

10 autores contemporâneos japoneses para se conhecer

Passando bem longe das habituais histórias de samurai que povoaram a literatura japonesa até 1945, os autores a seguir habitam as densas aglomerações urbanas que floresceram no Japão do pós-guerra. Suas literaturas refletem o espírito japonês contemporâneo, a solidão das grandes cidades e a degeneração da sociedade de consumo. Segue a lista retirada do Flavorwire:

Kenzaburo Oe
Aproveitando a recente publicação de 14 contos de Kenzaburo Oe pela Companhia das Letras, o autor é o primeiro a aparecer na lista e talvez o mais importante escritor japonês vivo. Vencedor do Prêmio Nobel de Literatura em 1994, Oe escreve desde 1957. Infelizente o Brasil carece de traduções de seus trabalhos. Seu único romance disponível por estas terras é o excelente Uma Questão Pessoal, que, dizem, influenciou o ex-professor da UFPR Cristovão Tezza na publicação de O Filho Eterno, livro arrasa-quarteirão que abocanhou todos os prêmios literários nacionais importantes nos últimos anos.

Banana Yoshimoto

Quando li Kitchen em 2009 tive a impressão de que, talvez, o que impede o merecido reconhecimento de Banana Yoshimoto no ocidente seja exatamente a escolha de seu pseudônimo. O livro, genuíno representante do novo romance japonês, lida com maestria com as delicadas questões de luto e transexualiadade. À ocasião sabia estar diante de uma escritora ímpar, o que só se confirmou quando li sua novela Moonlight Shadow. Suspeito que fãs de Haruki Murakami apreciarão seus livros.

Haruki Murakami

Se Kenzaburo Oe é o escritor japonês vivo mais importante Haruki Murakami talvez seja o mais bem-sucedido. Seus livros, já traduzidos para dezenas de línguas, vendem milhões de exemplares a cada lançamento. Eu mesmo, recentemente, ganhei de presente da Nathaly, ainda no pré-lançamento, seu mais recente livro, o mega hit 1Q84, como atesta a foto a seguir:

Ryu Murakami

Sem nenhum vínculo familiar direto com Haruki Murakami, até onde me consta, Ryu Murakami surgiu para o mundo em 1976 com o romance Almost Transparent Blue, sem tradução no Brasil. Ganhou notoriedade no ocidente com a adaptação para os cinemas de Audition pelas lentes do competente diretor Takashi Miike. Seu livros exploram um submundo de sexo, drogas e criminalidade.

Natsuo Kirino

Kirino começou sua carreira como escritora de livros românticos, mas foi com o lançamento de Out que descobriu sua verdadeira vocação: a boa e velha história de detetive.

Shintaro Ishihara

Figura controversa, político de extrema-direita e xenófobo declarado, Shintaro Ishihara (mais acima na foto, com Yukio Mishima) é um grande escritor quando deixa de lado suas sandices. Escreveu Season of the Sun, um dos livros mais importantes do Japão contemporâneo.

Mitsuyo Kakuta

Seu livro mais famoso é Woman On The Other Shore. Apesar de gozar de grande prestígio no Japão, ainda não viu sua ficção brilhar no ocidente. Fica o alerta para as editoras brasileiras.

Teru Miyamoto

Largou o emprego para se dedicar à literatura. Tem sido bem sucedido em suas publicações, tendo inclusive adaptações para o cinema.

Amy Yamada

Pertencente à Geração X (assim como Banana Yoshimoto), Amy Yamada gera polêmica com suas publicações repletas de sexualidade, racismo e xenofobia, temas pouco abordados na literatura japonesa. Sua grande influência é a cultura negra, em particular americana.

Kenzo Kitakata

Escreve histórias de mistério e investigação ao estilo hardboiled. Também sem publicações no Brasil.


Outros autores merecem menção: Hitomi Kanehara (Cobras e piercings), Hiromi Kawakami (A valise do professor) Yoko Ogawa (Hotel Iris), Natsuhiko Kyougoku. A crescente literatura japonesa nunca se cansa de nos brindar com bons escritores. Mas a ponte ainda está em construção e, no que depender do ritmo do mercado editorial brasileiro, aparentemente permanecerá suspensa por muitos anos.

3 comentários:

  1. Dos autores citados, só conheço o Murakami. Seu melhor livro para mim é Kafka À Beira-Mar (ou Minha Querida Sputnik, quem sabe). O Murakami é anacrônico - não tem alma de japonês, e se tem alma ocidental, é alma de outros tempos que não os nossos. Gosto bastante.

    Ah, conheço Kenzaburo Oe também. Li 10 páginas de um livro dele uma vez - achei nojento e parei. Me fez lembrar um livro de um francês (esqueci o nome, amigo do Sartre) que começa com uma descrição do cheiro de esperma em uma cela. Bem, sem mais existencialismo na minha conta. O livro existencialista perfeito já é "O Estrangeiro". :P

    Outro escritor japonês que tenho curiosidade de conhecer é Kobo Abe. Os filmes baseados em seus livros são interessantes, ao menos.

    Abraços.

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  2. Martuchelli! Quanto tempo, rapaz. O Pombo-Torcaz, não é? O Genet é um nojento, haha.

    Concordo sobre "O Estrangeiro", mas chamá-lo de existencialista na frente do Camus ia render no mínimo uma boa discussão.

    Abraço

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