Olhe atentamente a foto a seguir:
A resposta é simples: Duncan Jones, diretor do aclamado Moon (2009), seu filme de estreia, é filho do camaleão da música pop. E Contra o Tempo é sua segunda película, lançada este ano nos Estados Unidos como Source Code.
O enredo lembra os filmes mais recentes de Christopher Nolan e, como ele, aposta em brincadeiras com a mente do expectador: idas e vindas sem esclarecimento lançam o personagem principal num emaranhado de dúvidas, confusões mentais e doses letais de adrenalina. A plateia, claro, o acompanha.
Jake Gyllenhaal é Colter Stevens, um capitão do exército americano em operação no Afeganistão que se vê inexplicavelmente transfigurado em Sean Fentress, passageiro de um trem da linha metropolitana de Chicago. Após 8 minutos, a explosão: o trem sofre um atentado terrorista e todos, inclusive Stevens, morrem. A partir daí o personagem encontra-se constantemente alternando entre os inadiáveis últimos 8 minutos de vida de Sean Fentress e uma claustrofóbica cabine que lhe serve de clausura. O filme segue a espiral de loucura que acompanha o heroi até que encontre ou não a redenção por seus erros e o objeto de sua incansável busca.
Duncan Jones parece seguir os mesmos passos do diretor de Inception. Como Nolan, ele dosa sucessos no cinema enquanto arte com bem sucedidos e inteligentes blockbusters, sendo um sopro de ar fresco no saturado mercado de filmes de ação atual. E um alívio para o cinema hollywoodiano, que não tem se levado a sério há pelo menos dez anos.
Aqui cabe uma observação: o cinema, enquanto entretenimento, não tem o dever de elevar a plateia à categoria de doutores do pensamento. Mas nada impede que, aqui e acolá, surjam roteiros que destoem do tradicional, seja por bons plot twists, como é o caso de Contra o Tempo, seja por tramas nada convencionais, como em Inception.
Outro valor do filme é seu visual. Salvo a cena em que o trem explode, Contra o Tempo é uma ficção científica limpa. Isso significa que não há espaço para efeitos de luz e cor exagerados, nem excessivas criações digitais. O verdadeiro trunfo da obra está em sua história e desenvolvimento. Ao contrário de seu primeiro filme, rico em efeitos especiais, Duncan Jones nos mostra que, independente do apelo visual, o essencial para a criação é seu elemento de storytelling, a capacidade de transformar em palavras, sons e imagens a realidade construída a partir de uma ideia original. Pela segunda vez, Duncan Jones triunfa na tarefa.
O filme não é perfeito, não é uma obra-prima e dificilmente será um marco na memória de qualquer expectador. Mas sucede no que se propõe desde a primeira cena: entreter o público com um bom cinema-aventura.
David Bowie certamente está orgulhoso da versatilidade do filhão.
Clique aqui para ir para a página do filme no IMDB.

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